A dor dentro da dor.
Não sei porque, com tanta intensidade, meu corpo está inerte, minha pupila dilatando, o coração que dispara e o cérebro tornando-se célebre. Queimo os meus neurônios com a minha capacidade de pensar, penso mais ainda mais e sou capaz de matar, mesmo que ilusoriamente, um gigante só com o fechar de minhas mãos e, e, mesmo inerte, e,fleumático, e, mesmo inerte, sem conseguir falar, sou indiferente ao cansaço, sou de aço, não tenho dor... Daqui quinze a vinte minutos tudo muda: aquela dor que não sentia, sinto agora, a dor dentro da dor. O resto da energia que me restava, gasto-a no pleonasmo da busca por outra inalação, de tragar fumaça e sentir no corpo o cloridrato de coca, o sódio, a amônia: Deus salve o meu cachimbo. Eu sou o rei, de mim mesmo, o rei, as pessoas não me entendem, mas sou o rei. Tornei o monarca de mim mesmo, porém, às vezes, preciso de alguma ajuda externa para controlar meu ímpeto, uma moeda, uma nota, um furto, meu angelical ímpeto e é minha a dor dentro da dor da nova dor.
Ela estava lá, inerente a mim e a peguei, pedra pequena diluída num cachimbo artesanal, mais cinzas de cigarro, mais raiva dessa vida distorcida e sem sentido, mais tudo é uma bosta para se viver, assim, viver dessa forma tão sem graça e à minha frente o inalar da fé, do ser que quer ir, finalmente ir, sem dor na dor, para o encontro do fantástico e ilusório mundo dos seres melhores... Depois do novo trago não conseguirei pensar o que pensei agora, até que a minha capacidade de inteligência será ínfima, tão ínfima quanto a minha vida que, conjunta e paralelamente, fina.
Estou cansado, prostrado, acantonado, sem conseguir me levantar e ninguém para me oferecer quinze minutos de arritmia. A sociedade morreu para mim antes mesmo de eu morrer para ela.
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