sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Estudo da Dor.

Breve Relato de Um Recém Morrido

Ela consegue encontrar em mim o único minúsculo espaço de mim descoberto de cobertor para me dar um beijo.

Depois me carrega de lá e cá, de cá e lá, de lá e lá e de cá e cá em busca de um cantinho aconchegante para me depositar, apesar de que prefiro aquela aguinha morna de onde acabei de sair.

Não sou especilaista em cheiros, porém os cheiros que estou cheirando agora são agradáveis e são desagradáveis e estão cada vez mais perto de mim.

Ela me lançou de uma altura duas vezes maior que o meu tamanho de trinta e seis centímetros e meio, e caí caindo de costas para sentir um sentimento que chorei.

Chorei mais e parei, depois parei e chorei mais, depois... nada. Olhava o cheiro ao meu redor e via, com meus olhos que não sabiam ver, o barulho bom de brum, brum, de brum, cada vez maior, BRUUUMMM.

Chorei um barulho na barriga, totalmente protegida pelo cueiro apertado, cobertor, e chorei inércia na caixa de papelão, e parei de chorar para ouvir o bruuummm, o brrruuumm gostosinho a levantar o meu enorme berço fedido, depois rolei, eu, a caixa, o cueiro, o cobertor, rolei até uma coisa que fechava.

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